Mudanças de planos, e agora?

É na adolescência que os maiores questionamentos surgem junto com a impetuosa vontade de desbravar o mundo. Mas só na juventude é que alguns desses grandes questionamentos precisam tomar um rumo e começamos a traçar planos mais concretos. 
Lembro que na minha adolescência tracei diversos planos: iria entrar na faculdade logo após o ensino médio, continuar bem envolvida nos ministérios da igreja, ser uma excelente estudante, começar a namorar nesse meio tempo, me formar, trabalhar muito e casar. Eu tinha uma rota estabelecida. Mas como todo mundo sabe (depois que a adolescência passa…) a vida nem sempre segue nossos planos.
Me formei no ensino médio, tive que fazer cursinho pra passar no vestibular, entrei na faculdade, minha avó ficou doente, precisei parar a faculdade pra ajudar a cuidar dela, e com isso meu envolvimento na igreja diminuiu um pouco. E… namorar? Ah, não havia tempo pra isso. Depois voltei a faculdade e aqui estou agora. Não quero que ao ler essa parte você tenha violinos tocando músicas tristes ao fundo, não! Este não é o ponto. O ponto é que nossas vidas nem sempre seguem nossos planos. E isso não é ruim.
Quando estamos na adolescência e começamos a traçar metas, ainda não temos noção da realidade que nos espera, ou alguns até possam ter, mas normalmente não incluímos isso na lista. Tudo tende ser mais simples na lista, os obstáculos parecem todos superáveis, se nos “esforçarmos”. Pelo menos era assim que eu via as coisas. E mais, os imprevistos existem! Demorei a aprender essa parte…
Olhando para trás e pensando sobre o que Deus poderia ter me ensinado a respeito dessa grande mudança nos meus planos lembrei de algumas coisas.

  • Primeiro: em que baseio meus planos?

Eu queria estar dentro dos padrões onde a idade e as realizações andavam minuciosamente atreladas à uma proporção. Esses ideais são claramente dados pela sociedade em determinado tempo e temos aquela ânsia de nos amoldar, certo? Se bem me lembro, minha avó casou, não se formou em uma faculdade e teve três filhos antes dos 25 anos. Imagina se eu seguisse esse padrão hoje em dia? Hoje em dia, é esperado da mulher que ela estude, tenha uma carreira de sucesso e ainda cuide da casa e da família. É um padrão bem alto, hein! Precisamos estar atentas ao que seguimos, onde baseamos nossos planos. 
“Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do Senhor permanecerá.”
Pv 19.21

Dar ouvidos à padrões que não são bíblicos é o primeiro passo para a submissão ao pecado.


  • Se creio que Deus é Senhor da minha vida, preciso entender que os planos não pertencem a mim. 

Nossa, que simples, não? Não. Intelectualmente nós mulheres aceitamos isso facilmente. Mas, veladamente, tendemos à dar mais valor ao que sentimos do que ao que afirmamos como nossa verdade. Queremos o controle do que virá e, mesmo que não contamos à ninguém, queremos mesmo é que aconteça tudo como planejado, dentro daquela caixinha. Se olharmos para a Bíblia podemos ver que grandes histórias, as pessoas saíram do planejado. Acredito que Davi não planejou um dia vencer um gigante com tão pouco preparo no exército. Calma! Não acho ruim fazer planos, mas acho ruim quando saímos dele e nos frustramos, achando que somente nesse traçado é que estaríamos plenas. 
“Ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua.” 
Pv 16.1

Quando saímos dos nossos planos e deixamos que Deus nos guie podemos glorificar a Deus através de nossas ações e reações.

  • Parar, orar e analisar, segundo a Palavra de Deus.

Outro ponto que se me falassem eu pensaria “Ah, jura?”. Mas quantas vezes me esqueço de orar e analisar a situação para entender como posso aplicar a palavra de Deus na situação. Existe uma grande diferença entre saber como aplicar e aplicar de fato a palavra de Deus nos obstáculos que aparecem. Sem dúvidas na teoria é bem mais fácil. Nosso modo de agir depende de tudo o que já vivemos e aprendemos. Se estamos com um relacionamento estreito com a Bíblia será mais fácil lembrar quais as melhores formas de encarar a mudança da rota. Nessa etapa a ajuda de outras mulheres mais experientes é muito bem vinda (Pv 15.22). Provavelmente elas já passaram por obstáculos semelhantes e aprenderam alguma lição que pode nos ajudar. 

Se estamos com um relacionamento estreito com a Bíblia será mais fácil lembrar quais as melhores formas de encarar a mudança da rota.


  • Cada mudança de plano pode ser uma oportunidade.

É fácil esquecer que o objetivo das realizações é glorificar a Deus e que isso não é sujeito à minha idade, à minha posição acadêmica ou ao meu estado civil. O quanto eu glorifico a Deus não é fundamentado no meu desempenho na vida secular, mas na minha vida espiritual. Não me entenda mal, continuo dando grande importância à academia e aos outros pontos, mas para glorificar a Deus não preciso necessariamente estar em determinadas posições como as que tracei pra minha vida. Posso glorificar a Deus dando uma palestra para três mil pessoas ou comprando um sorvete. Se eu sair dos meus planos e não glorificar a Deus com isso, também de nada adianta. Em cada mudança virá um novo desafio e terei uma reação à isso. Essa reação é uma oportunidade de refletir a Cristo ou simplesmente seguir na maré, como qualquer uma outra pessoa. Sou filha da luz (Ef 5.8), mesmo que eu esteja em solo desconhecido. Se não, oportunidade dada e oportunidade perdida.

O quanto eu glorifico a Deus não é fundamentado no meu desempenho na vida secular, mas na minha vida espiritual.

  • Por fim, Deus é bom.

Se creio na bondade infinita do meu Deus sei que Ele não me deixará. Certas mudanças são dolorosas. Passei duas vezes por mudanças atreladas à morte. Como dói! Nossos olhos ficam embaçados e fica mais difícil analisar e entender o objetivo de Deus. Mas uma coisa não pode sumir da mente e do coração: Ele é bom! Por mais difícil que seja a mudança dos nossos planos, tudo está sob o controle de Deus, já que nos entregamos à Ele e… Ele é bom.
Como a autora Nancy Leigh DeMoss escreveu:
“Uma vez que duvidemos da bondade de Deus, sentimo-nos justificados ao rejeitar sua vontade e tomar nossas próprias decisões sobre o que é certo ou errado.”
Que perigo! Nosso coração é enganoso (Jr 17.9), e quando estamos em situações difíceis, se não nos apoiarmos em Deus, o que será de nossas reações?
Melhor confiar Nele que faz o que é bom (Sl 119.68).



Traçar planos não é ruim! 
Lembre-se que a glória de Deus é o maior objetivo (Pv 16.3). 
E, se a rota mudar, não fique triste, use a mudança como oportunidade!








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